O maior voo da história: Conheça a história da Operação Salomão

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Entre os dias 24 e 25 de maio de 1991 ocorreu uma grande operação logística realizada pela Força Aérea de Israel (IAF) e pela companhia aérea El Al, que culminou com o maior voo em número de passageiros já registrado na história da aviação, um dos aviões, um Boeing 747 da El Al, levou pelo menos 1.088 pessoas, incluindo dois bebês que nasceram durante o voo, entrando assim para o livro dos recordes como maior o voo já realizado

Contexto

A operação Salomão foi o resultado de anos de negociações entre Israel e o governo etíope, que enfrentava uma rebelião armada e uma crise humanitária. Os judeus etíopes, conhecidos como Beta Israel, eram alvo de perseguição, discriminação e muitos sonhavam em retornar à Terra Prometida. No entanto, esse sonho era frequentemente obstaculizado por circunstâncias desafiadoras. Durante a década de 1980 a situação tornou-se particularmente perigosa para os judeus etíopes. Devido à fome, à guerra civil e à instabilidade política na Etiópia, muitos enfrentaram uma jornada perigosa e angustiante para alcançar Israel, muitas vezes atravessando o deserto e enfrentando perigos ao longo do caminho.

 Antes da operação Salomão, Israel já havia realizado duas outras missões para trazer os judeus etíopes: a operação Moisés, em 1984 e a operação Josué, em 1985, que juntas levaram cerca de 8 mil pessoas. No entanto, essas operações foram interrompidas por pressões políticas e militares, deixando milhares de judeus etíopes isolados e desesperados.

O embarque no Boeing 747, Imagem: sierrahotel.net

A oportunidade para a operação Salomão surgiu quando o presidente etíope Mengistu Haile Mariam concordou em permitir a saída dos judeus em troca de uma ajuda financeira de Israel e dos Estados Unidos. A operação foi planejada em segredo absoluto, para evitar ataques terroristas ou interferências diplomáticas.

Os judeus etíopes foram avisados por rádio para se dirigirem ao aeroporto de Addis Abeba, onde foram recebidos por agentes israelenses e embarcados nos aviões. A operação foi realizada no sábado, o dia sagrado do judaísmo, para reduzir as chances de ser detectada. Os aviões voaram em baixa altitude sobre o Mar Vermelho, sem comunicação por rádio ou radar. A operação foi um sucesso, sem nenhuma baixa ou incidente grave.

O grande voo

A operação envolveu 35 voos operados pelas aeronaves Boeing 747 e Hercules C-130, que decolaram do aeroporto de Addis Abeba e pousaram em Tel Aviv, em Israel. Os aviões foram preparados para levar o máximo possível de pessoas, removendo os assentos e as divisórias internas. Além disso, os pilotos tiveram que voar em baixa altitude e sem comunicação por rádio, para evitar serem detectados pelos radares inimigos.

Interior de uma das aeronaves utilizadas na operação Salomão, Imagem: IAF

 

Um dos voos mais impressionantes foi o realizado por um dos Boeing 747 da companhia aérea israelense El Al, que transportou 1086 pessoas, sendo 760 adultos e 326 crianças. Esse foi o recorde mundial de maior número de passageiros em um único avião. O voo durou cerca de quatro horas e meia, e durante o trajeto nasceram dois bebês a bordo.

O Boeing 747 foi capaz de transportar tantas pessoas graças ao seu tamanho, à sua potência e à sua resistência. Ele tem quase 70 metros de comprimento, 19 metros de altura e uma envergadura de 60 metros. Ele pode voar a uma velocidade máxima de 988 km/h e a uma altitude máxima de 13 mil metros. Ele pode levar até 280 toneladas de peso, incluindo o combustível, a carga e os passageiros.

As imagens icônicas da Operação Salomão mostram as aeronaves, incluindo o Boeing 747, aterrissando em Israel e os passageiros emocionados beijando o solo sagrado, marcando o início de uma nova vida em sua terra ancestral.

O uso do Boeing 747 na Operação Salomão demonstrou a logística excepcional e a dedicação das autoridades israelenses em trazer os judeus etíopes de volta para Israel em segurança. Foi um dos muitos elementos que tornaram essa operação de resgate tão notável e bem-sucedida.

O Legado da Operação Salomão

A operação Salomão foi um marco na história de Israel e da Etiópia, bem como um exemplo de coragem e solidariedade. Os judeus etíopes foram acolhidos em Israel como irmãos perdidos e puderam realizar o sonho milenar de voltar à pátria ancestral. No entanto, eles também enfrentaram muitos desafios para se adaptarem à nova realidade, como a diferença cultural, linguística, religiosa, preconceito racial e a dificuldade econômica. Muitos judeus etíopes ainda sofrem com a pobreza, o desemprego e a marginalização social em Israel. Apesar disto, eles também contribuem para a diversidade e a riqueza do país, mantendo as suas tradições e valores.

Hoje, a comunidade judaica etíope em Israel enriquece a sociedade israelense com sua herança única e contribuições significativas em várias áreas, desde a cultura até a política. A Operação Salomão permanece como um lembrete duradouro da capacidade da humanidade de superar desafios e unir-se em busca de um objetivo comum.

A operação Salomão foi um dos maiores feitos da aviação civil/militar e uma das mais belas histórias de resgate humanitário. Ela mostrou que nada é impossível quando se tem fé, esperança e determinação.

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