Por que o dirigível do São Paulo não pegou fogo?

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Em setembro de 2024, os moradores de Osasco foram surpreendidos por um dirigível com o escudo do São Paulo Futebol Clube que caiu no bairro Jardim Veloso. A aeronave colidiu com algumas casas e fios elétricos. O dirigível estava em um voo de teste, previsto para ser usado em uma ação promocional antes de um jogo do clube. Graças ao uso de hélio como gás de sustentação, um incêndio foi evitado, o que lembra o quão perigosos os acidentes com dirigíveis já foram no passado.

Mas antes de falarmos mais sobre o acidente em Osasco, vamos voltar ao passado e entender por que o acidente com o Hindenburg, em 1937, permanece tão icônico e trágico.

O desastre do Hindenburg: Uma tragédia imortalizada

Em 6 de maio de 1937, o mundo testemunhou um dos acidentes aéreos mais dramáticos e catastróficos de todos os tempos. O dirigível alemão Hindenburg, uma das maiores e mais luxuosas aeronaves da época, pegou fogo enquanto tentava pousar em Lakehurst, Nova Jersey, nos Estados Unidos. Com 245 metros de comprimento, o Hindenburg era uma maravilha tecnológica que fazia voos transatlânticos regulares, simbolizando o auge do transporte de luxo.

Infelizmente, o que parecia ser uma tarde normal se transformou em um pesadelo quando o dirigível, que utilizava hidrogênio como gás de flutuabilidade, pegou fogo subitamente. Em questão de segundos, o que era uma imponente aeronave foi reduzido a cinzas, tirando a vida de 36 das 97 pessoas a bordo. A imagem do Hindenburg envolto em chamas é uma das mais conhecidas da história da aviação e mudou para sempre o destino dos dirigíveis comerciais.

O Hindenburg em chamas Imagem: Sam Shere (1905–1982)

 

Mas por que o Hindenburg pegou fogo tão rapidamente? A resposta está no hidrogênio. Esse gás é altamente inflamável, e uma pequena faísca – cuja origem ainda é debatida – foi o suficiente para provocar a explosão devastadora. O desastre do Hindenburg não apenas tirou vidas, mas também encerrou a era dos dirigíveis como meio de transporte de passageiros.

O contraste com o acidente de Osasco: A segurança do hélio

Voltando para o acidente do dirigível do São Paulo FC em Osasco, uma pergunta vem à mente: por que o desastre não resultou em incêndio, como aconteceu com o Hindenburg?

A resposta está no gás utilizado, diferente do Hindenburg, que usava hidrogênio, os dirigíveis modernos são inflados com hélio, um gás nobre que não é inflamável.

O hélio tem propriedades que o tornam muito mais seguro, especialmente em situações de acidente. Ainda que o dirigível de Osasco tenha colidido com estruturas elétricas e casas, o uso deste gás garantiu que não houvesse risco de explosão ou incêndio. Este é um dos maiores avanços na segurança dos dirigíveis, e uma das principais razões pelas quais ainda são utilizados hoje para publicidade e eventos promocionais, como o voo planejado pelo São Paulo FC.

O Dirigível com o escudo do São Paulo
Imagem: TV Globo

Além disso, os materiais utilizados para a cobertura dos dirigíveis também evoluíram, no passado, a cobertura do Hindenburg continha compostos altamente inflamáveis, como celulose e alumínio, que alimentaram o incêndio de forma devastadora. Hoje, os materiais são mais resistentes ao fogo e projetados para minimizar riscos, o que também contribui para a segurança das aeronaves modernas.

O futuro dos dirigíveis

Ainda que o acidente de Osasco tenha sido um susto, ele serve como um lembrete do fascínio e dos riscos que essas enormes aeronaves trazem consigo. O uso de hélio tornou os dirigíveis muito mais seguros, e seu design atual reflete as lições aprendidas com tragédias passadas. Entretanto, o incidente também nos faz questionar o futuro dessas aeronaves. Embora o uso comercial para o transporte de passageiros tenha desaparecido, os dirigíveis continuam a ser usados em campanhas publicitárias e monitoramento aéreo, graças à sua capacidade de pairar por longos períodos e de maneira estável.

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