Economia e Mercado

As perspectivas da Aviação Brasileira em 2019

janeiro 15, 2019
Tempo de leitura 8 min

Depois de 4 anos com resultados ruins, crise nas escolas e problemas financeiros na aviação, a Aviação Brasileira promete muito em 2019!

O ano já começou extremamente movimentado com as notícias do final do 2018 que falamos neste post!

Além disso, temos uma perspectiva interessante na aviação e sabemos dos efeitos que a economia tem no mercado aéreo como falamos aqui.

Faça o download deste post inserindo seu e-mail abaixo

Não se preocupe, não fazemos spam.
Powered by Rock Convert

Novo Governo

A entrada de um novo governo, sempre trás grandes expectativas de mudanças e crescimento econômico. Hoje 65% do Brasil, de acordo com o Datafolha, preveem novo um governo bom ou ótimo. É verdade que o mesmo fenômeno ocorreu com todos os último presidentes, no entanto desta vez o fator econômico tem uma relevância maior do que o normal e grande parte da agenda do novo Presidente tem um foco na crescimento da economia.

O Pib tem uma expectativa de crescimento de 2,5% este ano, em 2018 este crescimento deverá ficar em torno de 1,3% e em 2017 1,0%, o que consolida um crescimento, embora pequeno, mas constante. Isso deve ter um impacto importante no poder de compra das pessoas e das empresas e consequentemente a aviação deve ser impactada de forma positiva.

A tão esperada estabilidade econômica, fundamental para um mercado com margens reduzidas e com influencia de muitos fatores externos, deve surgir e as empresas terão um horizonte mais claro para realizar novos investimentos.

Crescimento do Turismo

A expectativa do atual Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, é de um crescimento robusto, a manutenção da pasta com status de ministério e as medidas liberais propostas pelo novo governo deve ter um impacto positivo no setor de viagens como um todo. Em sua entrevista a PanRotas ele citou que o Plano Nacional do Turismo tem como meda incluir 40 milhões no mercado de viagens domésticas e 12 milhões de turistas estrangeiros, isso equivale a um salto de 200% do faturamento, passando dos atuais US$6 bilhões, para US$19 bilhões durante os 4 anos de governo.

Outro ponto importante citado por ele é a melhora da segurança pública, da infraestrutura e a abertura econômica, fatores que somados devem levar a um crescimento robusto do mercado de Turismo e consequentemente da aviação como um todo.

Novas vagas nas cias aéreas

Se a Avianca Brasil apresenta problemas e o cenário para este ano ainda é incerto, as 3 maiores cias aéreas do Brasil vem apresentando resultados mais consistentes e cientes do potencial de crescimento atual já abriram seleção para pilotos e comissário em 2019.

A Azul está com vagas abertas aqui, o principal diferencia é a necessidade de apenas 200 horas de voo como requisito mínimo obrigatório!

Já a Latam abriu suas vagas neste link e tem exigências maiores como 500 horas de voo e Superior completo.

Por fim a GOL não ficou de fora e ofereceu vagas para co-pilotos aqui, também com exigência de 500 horas.

Abaixo uma tabela comparativa das vagas já divulgadas, todas exigem CMA 1a classe, ICAO 4, habilitações de PC/IFR/MULTI.

Azul Gol Latam
Horas de Voo 200 500 500
Jet Training Diferencial Diferencial Diferencial
Superior Diferencial Diferencial Sim
Habilitação INVA Diferencial Diferencial Diferencial
Experiencia Jato/Turbohélice Sim Sim Sim
Icao 4 Sim Sim Sim

Liberação do Capital Estrangeiro

Já falamos sobre a liberação do Capital Estrangeiro em outro post e, esta é uma decisão que pode ter um grande impacto em nossa aviação. De modo geral a tendência é de que novas empresas passem a operar no Brasil e que as cias nacionais recebam aportes de grandes fundos ou de outras companhias aéreas, no entanto ainda não está claro como o mercado irá se comportar e quais serão as suas consequências.

Para a aviação como um todo é pouco provável que ocorra algum impacto negativo para os tripulantes, passageiros e para as cias aéreas em geral, a abertura do mercado costuma trazer benefícios e novos investimentos, mas ainda é difícil dimensionar o que irá ocorrer.

A Gol, declarou recentemente que não tem um plano  de ação definida relacionada a aumento de capital estrangeiro, o CEO da empresa disse em entrevista que estão sempre abertos as movimentações do mercado. Já empresas estrangeiras lowcost, como a Flybondi e Jetsmart, estão com o plano de começar as operações no Brasil.

Privatização de Aeroportos e menos regulação do mercado

Desde a implementação da resolução que permitia a cobrança pelas bagagens, o mercado de aviação viu um movimento do governo para que a regulação do mercado fosse reduzida e as empresas tivessem maior liberdade em suas decisões. Outros pontos no entanto ainda afastam empresas estrangerias e lowcost de aterrizarem no Brasil, o valor do combustível aqui é muito acima da média mundial e a empresa é amplamente responsabilizadas por atrasos e cancelamentos relacionados a fatores externos, como clima, ou a falta de combustível.

No entanto, no que tange a gestão dos aeroportos os governos, já a alguns anos, trabalhando na concessão deles à iniciativa privada. Dez já foram concessionados, como Guarulhos, Galeão, Salvado e Porto Alegre e, a ideia é que todos sejam transferidos até o final do governo Bolsonaro, com as cerejas do bolo, Congonhas e Santos Dumont, sendo as últimas, o que deverá ser o marco do fim da Infraero.

A melhora da infraestrutura é fundamental para o crescimento da aviação nacional, mas uma das grandes questões ainda não foi respondida, os aeroportos regionais. Ainda não existem maiores informações sobre o plano do governo para o desenvolvimento da aviação regional, se será investimento público ou privado e, em um país com as dimensões do Brasil, esta é uma questão muito relevante não só para a aviação, para o desenvolvimento do país como um todo.

Avianca Brasil

Já falamos sobre a questão da Avianca Brasil no ano passado neste post, e de lá para cá pouca coisa mudou. Como falamos a empresa se disse surpresa com o pedido de recuperação judicial e deixou a entender que se trata mais de um problema de relacionamento com as arrendadoras do que uma crise interna de fato.

O mercado no entanto ficou apreensivo, uma vez que a empresa corresponde hoje a 13% do market share da aviação no Brasil. No momento as empresa se prepara para apresentar o seu plano de recuperação, detalhando como sairá da sua crise e resolverá suas pendencias financeiras. Essa data expira no dia 1 de fevereiro (conforme adiamento dado hoje, 15 de janeiro, pela justiça), e até lá é difícil prever o que irá ocorrer, a expectativa é que o plano seja aceito, uma vez que um pedido de falência é negativo para a empresa, para o país e para os seus credores.

Fala-se ainda sobre a possibilidade de abertura de capital e neste cenário a United aparece com um dos possíveis parceiros para a empresa, uma vez que aportes feitos em empresas em recuperação judicial são muito vantajosos aos investidores.

Fechamento do Campo de Marte

Poucos assuntos, no mundo da aviação, geraram tanta discussão no começo do ano quanto o fechamento do Campo de Marte em São Paulo. Em uma pesquisa informal que fizemos, cerca de 76% das pessoas (do meio da aviação) são contra o fechamento do aeroporto, fundamental para a aviação executiva em São Paulo.

Claro que não devemos considerar apenas as opiniões do meio aeronáutico mas toda a população da cidade. A discussão já é antiga e remete pelo menos a 2009 quando se falava no trem-bala entre o Rio de Janeiro e São Paulo, mas nunca saiu do papel.

O Governador de São Paulo, João Dória já havia demonstrado interesse em transformar o Aeroporto em um parque municipal e em um museu aeroespacial desde 2017, mas o projeto nunca foi para frente. O acidente causado em 2018 com dois mortes foi uma das justificativas dadas a retomada do assunto, vale lembrar que foram 3 acidentes em 11 anos, acima da média nacional. A adequação do perfil das operações foi uma alternativa defendida por vários analistas, mas a opção do Governo de São Paulo, como o aval de Bolsonaro, parece ser mesmo pelo fechamento do aeroporto.

Ainda não é possível dimensionar o impacto do fechamento do aeroporto e o que irá ocorrer com a aviação executiva, empresas e escolas que funcionam no local, a comunidade da aviação deposita suas esperanças no senador Major Olímpio, do mesmo partido de Bolsonaro como ultima cartada contra o fechamento do Campo de Marte.

Fusão Boeing e Embraer

Embora não tenha um impacto direto no crescimento da aviação nacional no curto prazo, este assunto se tornou motivo de discussão não só no meio aeronáutico mas em todo o Brasil. Manter uma das empresas de maior orgulho do país e correr o risco de ficar para trás e “sumir” ou se fundir com uma gigante americana e se tornar mais competitiva?

A pergunta acima não tem uma resposta fácil, mas o atual governo já tem a sua decisão. No última dia 11 o Governo Bolsonaro aprovou a parceria que concederá o controle da divisão de aviões comerciais a Boeing, em um negócio avaliado em 4,2 bilhões de dólares.

Havia a possibilidade, remota, do negócio ser vetado devido a existência de uma ação especial, chamada golden share, que dá ao Governo o direto de vetar o negócio. Pelo que foi acordado a Boeing terá 80% da nova empresa e a Embraer 20%.

 

Se quiser ficar por dentro de tudo sobre o mundo da aviação, é só seguir a gente nas redes sociais. Estamos no Facebook, Twitter, YouTube, Instagram e LinkedIn.

Powered by Rock Convert

Você também pode gostar

Sem comentários

Deixe um comentário