Economia e Mercado

Afinal, faltam pilotos na aviação brasileira?

22/05/2019
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Tempo de leitura 5 min

Periodicamente, revistas, jornais, sites, blogs e diversos grupos de redes sociais levantam uma questão: faltam pilotos na aviação? Tentar responder esta pergunta eventualmente nos leva a uma briga eterna, que nem nos melhores e nos piores momentos do nosso mercado de trabalho foi possível obter uma resposta convincente.

Recentemente o Raul Marinho do Blog Para Ser Piloto, fez mais um grande trabalho e trouxe este assunto de volta para discussão, em dois posts. O primeiro com dados sobre a formação de Pilotos Comerciais no Brasil, e o segundo com dados sobre a oferta de escolas e aeroclubes e em ambos a conclusão é a mesma: Chegamos ao fundo do poço.

Neste post vamos trazer novamente este assunto a tona, com um foco nos dados disponíveis pela Anac, pelos Sindicatos da aviação e pela Abrapac.

Os números da formação de pilotos no Brasil

Desde 2012 a Anac publica anualmente o número de licenças emitidas para pilotos, comissários e mecânicos no Brasil, e não deve ser difícil presumir que o número de licenças de pilotos vem caindo constantemente, mas, você tem ideia de quanto?

Considerando as carteiras de PP, PC e PLA de Avião e Helicóptero (seis licenças no total), chegamos a um pico de 6224 licenças emitidas no ano de 2013 e de lá para cá, apenas reduções, chegando a 2971 em 2018, 54% a menos do que já foi um dia.

Aqui vale destacar uma atenção especial para as carteiras de helicóptero, que caíram 88% em relação a 2012! Sim você não leu errado, em 2018 foram emitidas 375 licenças de PCH, PPH e PLH, contra 1675 em 2012.

Na asa fixa a mudança é um pouco menor, PPA hoje tem 54% a menos do que seu pico, PCA 50% e PLA foi o que teve a menor redução com apenas 20%, mas mesmo assim os resultados são muito piores do que o nosso PIB por exemplo, que hoje está em um patamar semelhante a 2012.

Estes dados ficam interessante quando pensamos no número de aeronaves no Brasil, que cresceu de 2012 para cá, hoje temos 12% mais aeronaves registradas no Brasil (22219 em 2019 contra 19769 em 2012) e, foi muito acima de queda do número de voos no Brasil, em torno de 13% de 2012 para 2018.

Sobre as escolas de aviação

Outro dado interessante levantando pelo Raul é com relação as escolas de aviação, segundo sua analise hoje o número de aeronaves de instrução privada hoje é de 1811, contra 1805 em 2013. Considerando a redução no número de alunos formado, hoje temos praticamente o mesmo número de aeronaves para metade do número de alunos.

Um terceiro dado no entanto trás uma nova ideia para esta conversa, em 2013 o sistema da ANAC mostrava um total de 728 entidades de ensino, e hoje temos apenas 397. Ou seja o número de escolas caiu 45%, valor próximo ao que caiu de alunos (54%), e de acordo com o nosso levantamento informal, o número de alunos nas escolas restantes também caiu bastante.

Cruzando os 3 dados, número de alunos, aeronaves e escolas, fica uma questão que ainda precisa ser respondida: As escolas restantes absorveram as aeronaves das que fecharam? Ou o número de 1811 aeronaves de instrução atualmente é relativamente fictício pois grande parte destas aeronaves não está de fato sendo utilizada?

Com base em um levantamento informal realizado com escolas parceiras da eBianch, 12 das entrevistadas informaram que aumentaram pouco sua frota nos últimos 5 anos, cerca de 10% apenas e que grande parte dos aviões das escolas que fecharam estão no mercado para serem vendidas ou estão simplesmente paradas a espera de uma melhora na economia.

Entendemos, portanto, que sim, existe um descolamento na oferta/demanda de escolas de aviação, mas ela não é tão profunda quanto aparenta. No entanto talvez ainda não estamos no fundo do poço, caso a economia não se recupere, é capaz de mais escolas fecharem e com isso a concorrência pode ser reduzida e os custos para formação podem aumentar ainda mais.

Mas afinal, faltam pilotos no Brasil?

Se você é um piloto em inicio de carreira vai achar esta uma pergunta absurda, pois do seu ponto de vista obviamente faltam vagas e sobram pilotos. Já recrutadores de cias aéreas tem uma visão de que faltam pilotos sim e por que isso ocorre? Basicamente por uma questão de formação e experiencia.

Para as companhias aéreas faltam pilotos com a formação e a experiencia que eles desejam, falamos um pouco sobre os requisitos neste post.

Já para os pilotos faltam vagas dentro da sua realidade atual, vagas como instrutor, em taxi aéreo, em aeronaves privadas, para conseguir a experiencia necessária para chegar a cia aérea.

Em uma comparação, seria como falarmos que faltam jogadores no futebol brasileiro e por isso perdemos as últimas 4 copas. Na verdade, existem milhares de jogares no futebol, mas faltam grandes craques que desequilibram jogos. A boa noticia é que você não precisa ser um Ronaldinho da aviação para conseguir um bom emprego, mas de um bom inglês, uma boa formação, experiencia, e claro que aviação brasileira decole de vez e que surjam novas vagas, e tudo leva a crer que isso vai ocorrer em breve!

 

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2 Comentários

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    Responder Pierre 28/05/2019 at 19:39

    Brasil não mais fabrica aeronaves homologadas nas categorias usadas para instrução. As aeronaves existentes vão se aproximando do final de vida útil. As importadas extremamente caras, com altos custos operacionais, gerando um alto valor da hora de vôo. Com os salários atuais e condições do mercado de trabalho, pouca gente se aventura na aviação.

  • Avatar
    Responder Bruno C Loureiro Costa 28/05/2019 at 21:11

    Parabéns!
    Explanação bastante coerente à realidade!
    Abs e bom vôo!

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